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domingo, 19 de junho de 2016

Professores e alunos se dedicam a projetos ambientais de escola pública, em Porto Velho

O projeto em que os próprios alunos são os protagonistas dos programas. Professora diz que se saísse da escola o projeto acabava.

Alunos e voluntários da Murilo Braga trabalham no projeto Com-Vida (Foto: Jackson Vicente/Focas do Madeira)

A Escola Estadual Murilo Braga, em Porto Velho, há sete anos realiza trabalhos sobre sustentabilidade dentro e fora das salas de aula. Esses projetos desenvolvem ações de Educação Ambiental (EA). Um serviço em que os próprios alunos são os protagonistas dos programas aplicados desde 2009, quando foi criada a Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida) pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).

“Esse projeto fez com que os alunos através da percepção ambiental, visualizem os problemas socioambientais na escola e na comunidade, comenta a professora Carmem Andrade sobre a chegada da Com-Vida na escola.

Com o desenvolvimento de um espaço para estruturar uma horta, estudantes mobilizaram-se na criação de grama, produção de adubo, plantas medicinais e legumes na parte externa do prédio da instituição. Um cercado para o jardim foi também aproveitado, e pneus e garrafas pets reutilizados para decorar o ambiente.

Esse foi o primeiro passo para se alcançar um projeto escolar mais duradouro, especialmente, o que pudesse ser reconhecido no estado de Rondônia e até no país.

Água de ar-condicionado é aproveitada para regar as plantas.
(Foto: Jackson Vicente/Focas do Madeira)
No final do ano de 2015, a escola, por meio da Com-Vida, selecionou alguns alunos para o “Desafio Criativo”, concurso de escolas públicas do Brasil que têm a Com-Vida atuante. Os estudantes fizeram uma obra de caráter sustentável reutilizando várias garrafas pets como tubos de água.

A água que pingava do ar-condicionado é captada por uma mangueira que esvazia o líquido nos tubos de pets. Ela serve para aguar flores e plantas, como o ‘capim santo’, que são plantados no jardim.

Essa obra foi premiada pela Instituto Alana, organizadora do concurso, vários estudantes viajaram a São Paulo concorrendo com mais de 400 trabalhos de outras comissões, e assim, ficaram entre os cinco finalistas à medida de serem premiados em primeiro lugar no país, com o projeto: “Ar refrigerado e água uma combinação que dá Vida”.

“Comecei a perceber que esta era a proposta que eu tanto procurava para desenvolver as ações ambientais, com o envolvimento de todos. E hoje as nossas ações vão além dos muros da escola”, enfatiza Carmem sobre a atividade prática que levou os jovens da Murilo Braga para fora do estado.


Distribuição de Mudas

Como continuidade do programa de incentivo à Educação Ambiental, os alunos da Com-Vida reuniram o máximo de mudas de plantas nativas da região amazônica. No mês de maio, fizeram um mutirão de entrega em frente da escola.

Cerca de 60 mudas de plantas como ipê, cacau, manga, boldo, boldo do chile, açaí, goiaba e acerola foram distribuídas de graça. O intuito da campanha desenvolvida pelos estudantes, intitulada de “Adote uma árvore” é de distribuir mudas exóticas ou que estão desaparecendo no meio ambiente, assim como forma de readequar o espaço urbano. 

Além de distribuir as plantas, uma forma de controlar o destino delas foi desenvolvido pelos agentes do projeto. 

Maico Patrik de 12 anos auxiliou na entrega das plantas. Ele registrou numa prancheta dados do visitante do projeto que decide ficar com a muda. “Anoto o nome, bairro e tipo de planta. Pra depois colocar no planejamento”, explica o estudante que é do 6º ano.


Desempenho de professores e alunos

Carmem é professora de Geografia. 
(Foto: Jackson Vicente/Focas do Madeira)

Carmem Andrade é de Santana (AP), formada em Geografia há 20 anos, desde quando chegou a Porto Velho manteve suas atividades voltadas à Educação Ambiental.

Como os projetos são extracurriculares, a educadora acredita que quando sair da escola o trabalho não tenha continuidade por outros funcionários.

“Se eu fosse trabalhar em outra escola, com certeza, levaria essa experiência, pois eu amo o que faço. Eu já recebi convites de outras escolas, mas por enquanto quero ficar pela Murilo Braga”, diz.

O sistema de educação hoje favorece aos profissionais de ensino regular, a carga horária de 30 horas. E nestas condições, os tempos que tinham para executar trabalhos externos agora são compostos por mais horas de aulas.

Apesar de terem um tempo curto, o apoio dos alunos é um incentivo maior para continuar trabalhando com atividades práticas.

A aluna Ingrid Brasil, por exemplo, entrou na Com-Vida logo que começou a estudar na escola, em 2009. “Quando eu entrei nem falava com ninguém, eu era muito tímida”, relata. Anos depois não mediu esforços para ajudar a crescer o programa socioeducativo.

Além dela, outros estudantes estão fazendo parte do projeto, especialmente, para adquirir experiência quando precisam melhorar o comportamento nas salas de aula. A fim de estimular o interesse pelos estudos teóricos e práticos da instituição escolar.

Pauta e texto: Jackson Vicente
Edição: Marcela Ximenes

Ex-detentos vivem nas ruas de Porto Velho, consomem drogas e praticam pequenos crimes



Delegado explica que há muitos casos de dependentes químicos que chegam à Central de Flagrante e são liberados porque não cometeram crimes



Canteiro da avenida Tiradentes tem um grupo frequente (Foto: Davi Rodrigues/Focas do Madeira)

Pequenos grupos formados em sua maioria por homens tomam conta de alguns pontos de Porto Velho, como a região do Cai n’Água, Campo 13 de Setembro e canteiro da Avenida Tiradentes. Muitos são ex-detentos e todos são dependentes químicos.

G.M, 35 anos, aos 23 cometeu um assalto a mão armada e foi condenado a oito anos e seis meses de prisão, a princípio, deveria ter sido posto em liberdade após três anos em regime fechado, mas devido às suas faltas graves teve sua liberdade retardada. Aos 27 anos, G. saiu em liberdade após participar de atividades que reduziram a pena. No entanto, o ex-detento tem encontrado muita dificuldade para se recolocar na sociedade. Ele não possui documentos pessoais. 

Natural do município de Guajará-Mirim, G. mora nas ruas de Porto Velho e dificilmente mantém contato com seus familiares. Ao ser questionado como a polícia o trata, disse: “como bandido, batem, xingam, dão murro na cara, tratam como bandido mesmo e quando me levam para Central, o delegado me libera de manhã dizendo que já paguei e não tem como me segurar”. 

G. conta que mantém o vício com as gorjetas que ganha cuidando de veículos na região do  Prédio do Relógio, no centro de Porto Velho. 

Nessa mesma dificuldade, I.R.G., 41 anos, natural de Porto Velho começou cheirando cola de sapateiro na adolescência quando engraxava na Estação Rodoviária e ainda frequentava a escola. Aos poucos foi se envolvendo com crimes e já esteve por três vezes no Sistema Prisional. Passa a maior parte do tempo se drogando entre outros dependentes químicos no entorno do Campo 13 de Setembro ou na avenida Tiradentes.  Briga constantemente nas ruas, já esfaqueou e foi esfaqueado.

Em uma dessas vezes, passou um mês internado em estado grave no Pronto-Socorro João Paulo II após levar diversas facadas de outro usuário de droga após uma briga em um bar localizado na avenida Jorge Teixeira. Hoje anda com uma garrafa pet cheirando tiner, bebendo álcool e fumando pedra de crack.  Esteve em vários centros de recuperação para dependentes, mas sempre tem recaída. 

Dentre essas idas e vindas, apenas se aproxima de sua família, que mora no bairro Embratel, quando está lúcido. Certa vez, conta, deixou cair uma faísca da droga no sofá e causou um pequeno incêndio.

O diretor da Central de Flagrantes, delegado Claudionor Soares Muniz, rebateu a questão que os policiais militares prendem e os civis ou o poder judiciário soltam. A fim de exemplificar, disse que em 2015 foram registradas 9.236 ocorrências na Central de Flagrantes e desse total houve 4.350 instaurações de inquéritos policiais. Ou seja, quase a metade foi de autuação em flagrante.  Quando recebe a ocorrência, o delegado verifica se o caso configura crime e se este foi praticado mediante flagrante, caso contrário, não cabe prisão.

Dentro da lei

Em relação às pessoas que são eventualmente pegas com pequenas porções de droga em determinados locais e circunstâncias, o delegado explicou que necessariamente não cabe prisão porque o artigo 28 da Lei das Drogas prevê o porte para uso pessoal. Ocorre um procedimento diferente de autuação em flagrante delito, que é o inquérito denominado Termo Circunstanciado (TC). “Então é por isso que ele entra pela porta dos fundos e pode, se for o caso, sair pela porta da frente após assinar um termo de compromisso em comparecer nos autos. Isso está previsto em lei”, diz o diretor da Central de Flagrantes.

De acordo com Claudionor Soares Muniz, das ocorrências citadas 1.540 se transformaram em TC, que são aquelas ocorrências de menor potencial ofensivo a exemplo de posse de droga, lesão corporal, ameaça, injúria, difamação e desacato. “Ainda dentro dessas 9.236 ocorrências nós temos 4.711 prisões que não foram de flagrantes e sim de mandado, ou seja, são pessoas que foram recapturadas. O que quero dizer com isso é que dentre essas ocorrências uma minoria saiu daqui sem que a pessoa fosse presa, submetida a TC ou a inquérito”, detalhou.


Delegado Claudionor, diretor da Central de Flagrantes
(Foto: Davi Rodrigues/Focas do Madeira)
A pessoa conduzida à Central de Flagrantes só é liberada se o fato não for criminoso e não couber flagrante, mas se for afiançável a pessoa recolhe a fiança. Por outro lado, todos os presos, exceto os com mandados de prisão que vão direto para o presídio, são apresentados ao juiz de custódia. “Este é quem faz a análise se pode ser decretada a preventiva contra aquela pessoa que está sendo apresentada, ou se ela recebe liberdade provisória ou relaxamento do flagrante para ser solta. Só para ter uma ideia, eu estou na Central desde dezembro e só vi um caso de relaxamento de prisão em flagrante, agora de liberdade provisória tem sido praticamente a regra” explicou.

Em relação as idas e vindas de ex-detentos à Central de Flagrante, diz que se o conduzido cometeu um crime há oito anos, o Delegado pesquisa se ele tem um mandado pendente, caso contrário, não tem o que cumprir contra o mesmo. No entanto, independentemente do tempo que ficou preso, caso seja pego com droga é apresentado em circunstância de flagrante e a autoridade policial lavra o TC. “Essa conversa de que ‘eu passei pela Central de Polícia e me liberaram sem tomar providência alguma’, isso não acontece, não acontece porque as providências são adotadas aqui tanto é que os números indicam uma alta produtividade nesses procedimentos” concluiu.

Leia mais:

Moradores de rua de Porto Velho contam com a solidariedade para sobreviver


Pauta e texto: David Rodrigues 
Edição: Marcela Ximenes

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Porto Velho tem o segundo pior saneamento básico do país, aponta pesquisa


O Instituto Trata Brasil divulga o ranking de saneamento básico desde 2009

O que antes era um igarapé se transformou em esgoto (Foto: Maximus Vargas/Focas do Madeira)


Entre as 100 maiores cidades do país, Porto Velho está na segunda posição com o índice de pior saneamento básico, ficando atrás apenas de Ananindeua cidade do estado do Pará. O ranking de 2016 foi divulgado pelo Instituto Trata Brasil, que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), com dados do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento Básico (SNIS). Esses dados são fornecidos pelas empresas que tratam da água e esgotos nos estados e municípios em todo o Brasil.

O Instituto Trata Brasil divulga o ranking de saneamento básico desde 2009, depois de ouvir as autoridade e entidades ligadas ao meio ambiente e saneamento. Segundo análises nesses dados, apenas 2% da população porto-velhense tem coleta de esgoto.O saneamento básico ainda é um problema que levará tempos para ser resolvido.

A finalidade do ranking publicado pelo Instituto Trata Brasil é mostrar a situação em que se encontra o saneamento básico em todo o país, mas também valorizar os esforços que cada cidade vem tendo para mudar a realidade local. Franca (SP), Londrina (PR) e Uberlândia (MG) são as cidades com o melhor desempenho de saneamento básico. Já Ananindeua(PA) e Porto Velho estão com as posições de piores cidades a respeito de saneamento básico.

Melhores e Piores indicadores em população com coletas de esgoto 

Tabela com as piores e melhores cidades no ranking de saneamento básico do Brasil
(Tabela: Maximus Vargas/Focas do Madeira)

Em 14 de maio de 2015, foi firmado um pacto entre governo Federal e o Governo do estado de Rondônia para melhorar o índice do saneamento em Porto Velho. A expectativa era de que 40% da população seria atendida com rede de esgoto sanitário, a partir de investimentos que poderiam chegar a R$ 700 milhões.

Conforme o pacto,  quando pronta, a Estação de Tratamento de Esgoto da Zona Sul de Porto Velho (ETE Sul) atenderá 200 mil moradores em 40 bairros – São, Triângulo, Areia Branca, Novo Horizonte, Cidade Nova, Cidade do Lobo, Conceição, Caladinho, Cohab, Castanheira, Aeroclube, Eletronorte, Militar, Conjunto Residencial Cujubim, Tupi, Nova Floresta, Tucumanzal, Areal, Roque, Mato Grosso, Jatuarana, Floresta, Eldorado, Conjunto Rio de Janeiro 1, 2 e 3, Agenor de Carvalho, Conjunto Residencial Porto Seguro, Lagoa, Conjunto Residencial Vila Bella, Conjunto Jamary, Três Marias, Tiradentes, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Castanheira, Socialista, São Francisco, Cidade Jardim, Mariana, Ulisses Guimarães, Marcos Freire e Ronaldo Aragão.

Mapa dos bairros que serão beneficiados com tratamentos de esgoto ETE SUL em Porto Velho
(Foto: Maximus Vargas/Focas do Madeira)

A Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) disse que o tratamento de esgoto assim como construção de bueiros está sobre responsabilidade da Prefeitura de Porto Velho. Já a Secretaria Municipal de Obras (Semob) fala que a implantação e manutenção de rede de esgoto, e os respectivos recursos para serviços, são de responsabilidades do Governo do Estado, que fica sobre responsabilidade da Caerd.

Sem saber de quem realmente é a competência sobre o saneamento na capital, a população segue sendo prejudicada. Dona Ivone Pereira de Souza mora há mais de 20 anos no bairro Esperança da Comunidade conta que quando se mudou para o bairro, os atuais bueiros eram igarapés e serviam de lazer para seus filhos. A água do local a dona de casa usava para lavar roupas e louças.

“Hoje não presta para nada isso tudo ai, o cheiro é insuportável, já vieram aqui e disseram que vão tampar até ali em baixo (apontando para o córrego), mas nunca mais vieram. Quando passamos ali na esquina dá para sentir o cheiro. O que a gente espera é que apenas volte a passar a fumaça aqui, por que desse jeito tem muito mosquito aqui”, diz, meio sem esperança, dona Ivone.

Não só nos bairros periféricos de Porto Velho, mas também no centro o tratamento de esgoto não acontece. Segundo o empresário Rennan Batista, “quase nunca" a prefeitura faz o serviço de limpeza dos bueiros. "Muitas vezes eu mesmo faço por conta própria, para que os usuários de drogas não fiquem ai nessa moita. Não sei como tirar esse cheiro de podre que fica ai”, reclama Rennan.



Pauta e Texto: Maximus Vargas
Edição: Marcela Ximenes

terça-feira, 9 de junho de 2015

Marechal Rondon desbravou a Amazônia e fez história

A instalação dos telégrafos na floresta amazônica ocorreu paralelamente a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Rondon socializando com os índios. (Foto: reprodução)

A implantação das linhas telegráficas teve o objetivo de interligar através da comunicação lugares antes isolados do Brasil. O trabalho liderado pelo Marechal Rondon conseguiu concretizar o trabalho. Descendente de índios, Cândido Mariano da Silva Rondon, nasceu na cidade de Mimoso em Mato Grosso, o militar perdeu os pais ainda criança. Foi morar no Rio de Janeiro para ser criado pelo tio Manuel Rondon.


Quando cresceu tornou-se militar e foi designado para construir as linhas telegráficas entre o Mato Grosso e Goiás. Para uma nação que se consolidava, era preciso diminuir o isolamento do centro-oeste e das grandes metrópoles. Rondon melhorou a comunicação entre as regiões. Foram 32 estações em mais de dois mil quilômetros da linha principal e de ramais. Coube a Rondon abrir estradas, desbravar florestas, determinou mais de 200 coordenadas geográficas. No caminho encontrou muitas tribos que foram pacificadas.

Marechal Rondon (foto: Reprodução)
O doutor em história Marco Teixeira, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), lamentou o “desaparecimento e do precário estado de conservação dos postos telegráficos que deram origem às cidades de Vilhena, Pimenta Bueno, Ji-Paraná, Jaru e Ariquemes, à exceção de Ji-Paraná”.

Rondon apresentou aos brasileiros um Brasil pouco conhecido numa época onde a população se concentrava basicamente nas regiões próximas ao litoral. O sertanista Cândido Rondon foi fundamental para retratar as regiões norte e centro-oeste do país. “É um homem que dedicou sua vida na pacificação de povos indígenas, ao contato, a trazer ao conhecimento do povo brasileiro o respeito às terras dos primeiros moradores do Brasil. Rondon que instituiu no Brasil a ideia que a terra indígena é inviolável, que para você entrar tem que pedir licença,” comentou o Mércio Pereira Gomes, antropólogo.

Em 1955, o sertanista recebeu do congresso nacional a patente de marechal. Um ano depois, o território federal do Guaporé passou a ser chamado de Rondônia. Único estado da federação que homenageia um personagem. O Marechal Rondon como ficou conhecido, nasceu em 05 de maio de 1865 e faleceu no dia 19 de janeiro de 1958.

Entre os anos de 1907 à 1915, a comissão Rondon implantou cerca de 20 linhas telegráficas de Cuiabá (MT) a Santo Antônio do Rio Madeira. A instalação dos telégrafos na floresta amazônica ocorreu paralelamente a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.“Tudo é pouco para exaltá-lo”, disse o governador de Rondônia, Confúcio Moura: “Rondônia deve a ele a sua própria existência; toda a reverência que se possa fazer à sua memória é mais que justificável”.

Presidente Roosevelt durante expedição com Rondon (Foto: Reprodução)

O sertanista não permitia nenhuma violência contra os povos da mata. “Morrer se preciso for, matar nunca”.Está é a frase mais famosa do Marechal, proferida e ensinada àqueles que o acompanhava nas expedições. O reconhecimento desta diplomacia veio através do físico alemão Albert Einstein, que indicou o nome do Marechal ao Prêmio da Paz em 1957.Com iniciativa de Rondon, em 1910 foi criado o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que era vinculado ao Governo Federal. Órgão que mais tarde daria origem a Fundação Nacional do Índio (Funai). O trabalho de Rondon junto aos indígenas rendeu frutos. Através dele foram criados: o dia do índio, a estruturação do Parque do Xingu e o desenvolvimento da Funai.


O ex-presidente Theodore Roosevelt dos Estados Unidos da América recebeu o Marechal Rondon numa expedição na floresta amazônica. Roosevelt exigiu que houvesse um objetivo científico de navegar e mapear o rio da Dúvida, que foi rebatizado logo após a expedição de Rio Roosevelt em homenagem ao presidente norte americano. O ex – presidente perdeu 30 quilos depois de ter adquirido malária. Passou fome e teve que enfrentar longos dias sobre os lombos de burros, animais capazes de suportar bastante peso, além de viajar em canoas propensa a virar devido às correntezas e pedras do rio da Dúvida.Depois da aventura o Roosevelt escreveu um livro “Nas selvas do Brasil” e dedicou ao Marechal Rondon.

Pauta e texto: Léia Castro
Edição: Marcela Ximenes

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Acidentes com vítimas reduzem 40% em 3 anos de Operação Lei Seca em Porto Velho, segundo o Detran

A média de acidentes diários baixou de 262 para 102.  Entradas de vítimas do trânsito no Pronto Socorro João Paulo II e a taxa de criminalidade nos bairros também diminuíram.

A fiscalização ‘Operação Lei Seca’ é realizada pela Polícia Militar e Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RO) desde março de 2012 em Porto Velho, medida imposta depois da promulgação da Lei Seca, em 2008, que tem o objetivo de reduzir os acidentes provocados por motoristas embriagados.


Em três anos os números de autuações durante as operações e de acidentes com vítimas em Porto Velho diminuíram. Em 2012, a média de acidente por dia era de 262, com maior incidência durante o fim de semana, 149 no sábado e 576 no domingo. Já em 2014 a média chegou a 102, 54 no sábado e 218 no domingo. As estatísticas são do Detran/RO.

Blitze são realizadas em pontos diversos da cidade (Foto:Detran/Divulgação)
De acordo com o comandante da Companhia de Trânsito da capital, o major PM De Lima, o balanço até aqui é bastante positivo. “Os números baixaram muito, e a tendência é ir melhorando, se puxarmos os números de 2010 dá pra perceber bem a evolução, eram 283 acidentes todos os dias, durante o fim de semana. Agora cabe aos motoristas se conscientizarem que nossa operação não é um castigo, mas um alerta”.

Outros números positivos, passados pelo gerente do Departamento de Comunicação do Detran, Solano Ferreira, estão relacionados aos atendimentos médicos e taxas de criminalidade. “A Secretaria de Segurança Pública percebeu a redução de 7% da criminalidade em diversas regiões onde são realizadas as operações, já a direção do Pronto-Socorro João Paulo II garante que as entradas de acidentados nos dias de Lei Seca é 15% menor, além de 25% de redução na entrada de acidentados de moto”.  

Legislação
É considerado crime quando o motorista é flagrado conduzindo veículos com índice de álcool no sangue superior a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar expelido ou seis decigramas por litro de sangue.

A pena de detenção pode variar de seis meses a três anos, multa de R$ 1.915,40, desconto de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), suspensão temporária da carteira de motorista ou proibição permanente de obter habilitação. Se o motorista tiver cometido a mesma infração nos 12 meses anteriores, o valor da multa é dobrado.
As operações Lei Seca são realizadas de quinta-feira a domingo, em pontos e horários pré-determinados pela equipe responsável pelas ações, coordenada por Hugo Correa.  

Efeitos do álcool
Segundo o psicólogo Antônio Gurgel Neto, a falta de cordialidade e paciência no trânsito pode estar ligada ao comportamento coletivo do ser humano. “No trânsito parece ser permitido falar mal, palavrões, xingamentos, e até os mais comedidos no cotidiano acabam se permitindo a vivenciar isso”. Ou até mesmo ao sono, já que as buzinas começam a funcionar logo pela manhã. “O sono mal dormido afeta o humor da pessoa, e consequentemente, o bom relacionamento com os demais”.

Quanto aos efeitos do álcool no organismo, Antônio explica que a substância é um depressor do sistema nervoso central, o que acarreta em prejuízos motor e psicológico. “O álcool inibe o nosso inibidor, e com essas inibições entra num estado de euforia, deixando a pessoa, neste caso o motorista, mais solto, com o pé mais pesado, sem muita percepção de que está muito rápido ou muito devagar, ou se o outro carro está mais longe ou bem perto”.

Pauta e texto: Karina Quadros
Edição: Marcela Ximenes

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Reginaldo Trindade: o homem que dá vida ao procurador

Reginaldo Trindade está há quase 18 anos no MPF (Foto: Assessoria de Imprensa/MPF-RO)





























De office-boy a procurador da República, Reginaldo Trindade, pai de dois filhos, marido e praticante de handebol, possui mais de 24 anos de carreira. Só no Ministério Público ele acumula mais de 17 anos. Natural de Uberaba (MG), ele veio para Porto Velho em 1985, ainda garoto. Como diz o ditado, “quem bebe água do Madeira não quer ir embora”. Reginaldo deve ter bebido muito dessa água, pois afirma que poderia ter retornado para sua terra natal há dez anos e não o fez.

Engana-se quem pensa que Reginaldo entrou no Ministério Público Federal (MPF) como procurador. Em 1996, ele já atuava no órgão como estagiário, fazendo parte da primeira turma de estagiários da Instituição, em Rondônia. Sua experiência profissional caminha por vários setores e segmentos. Ele afirma que começou bem de baixo. Foi office-boy em duas agências de turismo; atuou como contínuo no Banco Mercantil de São Paulo, por volta de 1993; foi promovido para outras funções e lá, no Banco, ficou até estar quase formado, no final de 1996. Na época, ele estava aprovado em dois concursos públicos, um para analista do Tribunal Regional do Trabalho, e outro para analista da Justiça Federal.

Ele foi ainda assessor jurídico do Ministério Público de Rondônia em 1997, e, em outubro do mesmo ano, assumiu o cargo de promotor de Justiça em que ficou por cerca de seis anos e meio, trabalhando nos municípios de Alta Floresta D’Oeste, Espigão D’Oeste, Pimenta Bueno, Porto Velho, Rolim de Moura, Santa Luzia D’Oeste e Vilhena.

No MPF, como procurador, ele entrou em 2004 (aprovado com louvor, em 5º lugar, em um concurso que contou com mais de dez mil candidatos de todo o Brasil). Sua área de atuação abrange a Defesa do Patrimônio Público e Social (combate à improbidade administrativa); o Núcleo de Combate à Corrupção; a Defesa do Povo Indígena Cinta-Larga; e a Inspeção na Penitenciária Federal de Porto Velho. Reginaldo tem se destacado em todas essas áreas, com ênfase para a defesa dos Cinta-Larga, que tem sido uma “escola” para ele. Já são mais de cinco mil atuações distintas, entre elas, ações, recomendações, reuniões, ofícios etc.

Trindade é defensor das causas indígenas (Foto: Assessoria de Imprensa MPF-RO)
Ele afirma que está no momento mais relevante do trabalho, pois com a criação do Grupo Clamor – Cinta Larga: Amigos em movimento pelo resgate, que conta com mais de 30 pessoas voluntárias algumas ideias já puderam “sair do papel”. O procurador, com apoio do grupo, conseguiu uma audiência pública no Senado Federal e a 1ª Ação Social Cinta Larga que prestou atendimentos de saúde, expedição de documentos, entre outros, a centenas de índios. “A defesa do povo Cinta-Larga envolve fé e esperança gigantesca para não nos deixar esmorecer”, afirma o procurador.

Outra área de sua atuação é o Núcleo de Combate à Corrupção, que está sendo instalado no Brasil inteiro. O núcleo tem como objetivo associar o combate penal ao combate civil da corrupção. Ele era o único procurador responsável pelas investigações e ações de improbidade. Agora, cinco procuradores atuam no Núcleo.

Cidadão Honorário
No final de 2013, Reginaldo recebeu da Assembleia Legislativa um Título de Cidadão Honorário, que o reconhece como excelente profissional e destaca seu papel como cidadão no combate à corrupção e improbidade administrativa. Ele avalia esse reconhecimento de forma positiva, “muito maior que sua pena poderia traduzir em palavras”. Aqui, em Rondônia, se formou em Direito, casou, e passou a trabalhar no MPF fazendo, segundo ele, o que mais gosta: defender índios e combater a corrupção.

No combate à corrupção, Reginaldo conseguiu afastar prefeitos em quase todos os municípios pelo qual passou, processou deputados e senadores. O procurador destaca oito ações de improbidade movidas contra Ivo Cassol, na época em que era governador de Rondônia. Os documentos, enviados à Procuradoria-Geral da República, resultaram na abertura de uma ação penal, acolhida pelo Supremo Tribunal Federal em 2013. Para ele, esta ação, talvez, justifique futuramente a prisão e até a perda do cargo de senador de Ivo Cassol. 


“A defesa do povo Cinta-Larga envolve fé e esperança gigantesca para não nos deixar esmorecer” - Reginaldo Trindade

O procurador, respeitado e reconhecido, conta que sempre teve seu pai como exemplo de retidão e pessoa de bem. Mas o homem sério, reto e comprometido com a sociedade possui um lado esportista não tão conhecido. Além de handebol, ele pratica basquete, futebol e anda de patins. Ama filmes e livros, principalmente os de História, e, buscando a fluência em outras línguas, estuda Inglês e tem vários sonhos: escrever livros, voltar a estudar, talvez fora do país.

Se aplicar metade da determinação com que realiza seu trabalho, Reginaldo não encontrará problemas na concretização desses planos.

Perfil ativo
Ao ser questionado se já pensou em trabalhar em outro ramo, ele afirma que o Ministério Público sempre esteve em seu sangue e que até chegou a fazer alguns concursos da magistratura, mas que acabou desistindo, pois acha que seu perfil ativo não combinaria com a magistratura.

Sobre aposentadoria diz: “Até lá, continuarei a tentar ajudar as pessoas a fazer um estado e um país melhor. Sinto-me devedor da sociedade e considero-me extremamente abençoado por tudo que conquistei na vida”.

Pauta e texto: Lílian Oliveira (6º período)
Edição: Marcela Ximenes 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Do futebol à comunicação: a trajetória de sucesso de Elton Leoni

Elton Leoni deixou a carreira no futebol no Sul e mudou-se para Porto Velho, em 1985 (Foto: Mayara Leoni/Focas do Madeira)

Nascido em Porto Alegre em 1958 e criado em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, Elton Leoni deixou a cidade para trabalhar como jogador de futebol em União da Vitória, no Paraná. Aos 19 anos ingressou na carreira de futebol e teve oportunidade de jogar contra grandes símbolos do futebol brasileiro da época, como Claudiomiro, Flecha e outros como Leão, Renato Gaúcho, Benitez, considerado o melhor goleiro do mundo na época. “Ainda pude fazer o gol do empate, em pleno Beira Rio, mas no final perdemos por 2x1”, disse Elton Leoni. Neste dia, foi considerado o melhor jogador em campo pela imprensa.

Em 1985, Elton abandonou a carreira de futebol e aceitou o convite do irmão, Everton Leoni, para iniciar um plano totalmente novo: Construir o grupo Sistema Imagem e Comunicação, em Porto Velho, hoje considerado o maior em todo o Estado. Neste meio tempo, Elton recorda da frustração como jogador de futebol e de não ter graduação em medicina, que também era um sonho de infância. Com todas as dificuldades, começou um período de adaptação em Porto Velho, na função de administrador da então Imagem Propaganda. “Me sentia um peixe fora d’água”, lembra. 

Na nova carreira profissional, tudo era novidade: contatos com empresários, faturamento, cobranças, ajudar nas coberturas de eventos. Leoni participou de todas as áreas da empresa, até mesmo com filmagens. “Carregávamos os famosos   BVUs, que pesavam toneladas”,  referindo-se aos equipamentos da época.

Em 1988, Elton conheceu a esposa Josy e tiveram três filhos, Matheus, Mayara e Rodrigo. “Devo a ela [Josy] todo apoio e sabedoria, que me fortaleceram nos momentos de dificuldade”, aponta.

Elton foi jogador de futebol (Foto: Arquivo pessoal)

Em 15 de abril de 1991, nascia a TV Candelária, afiliada da Rede Record em Rondônia. A emissora de televisão passou a ser o foco principal e as atividades da Imagem Propaganda acabaram logo depois. Em 11 de Junho de 1999, o empresário obteve outra conquista, o controle das cotas da Rádio Parecis – 98,1 MHz, a primeira FM de Rondônia. 

A segunda emissora inaugurada foi em Ji-Paraná no dia 10 de junho de 1995, a partir daí em várias cidades foram inauguradas novas emissoras como Cacoal, Jaru, Pimenta Bueno, Espigão do Oeste, Nova Brasilândia e Alvorada do Oeste. 

Neste ano de 2014, o Sistema Imagem e Comunicação ( SIC) recebeu o prêmio mérito lojistas Brasil na categoria de comunicação e Elton foi pessoalmente em um evento onde reuniram-se 5000 pessoas em Costa do Sauípe- BA. 

Agora os sonhos do empresário estão voltados em levar a população a qualidade do sinal digital em várias cidades, segundo ele, os rondonienses merecem essa tecnologia. Ao citar sobre sua vida, ele se define como um homem realizado, mas diz que o trabalho ainda não parou, pretende expandir  as emissoras de rádio e TV em todo o estado de Rondônia.

Pauta e texto: Mayara Leoni
Edição: Marcela Ximenes

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cheia provocou transtornos no trânsito de Porto Velho; estragos ainda estão nas ruas

 Motoristas, ciclistas, motociclistas e pedestres precisaram alterar suas rotas para desviarem dos pontos de alagamento formados no centro da capital.

Avenida Rogério Weber ficou alagada durante dois meses (Foto: Pâmela Pimenta/Focas do Madeira)

Completamente danificadas, com lixos, lama, repleta de buracos e rachaduras. Foi assim que ficaram as avenidas Almirante Barroso, José de Alencar, Tenreiro Aranha, Campos Sales, Rogério Weber, dentre outras, localizadas nos bairros que foram atingidos pela enchente histórica do rio Madeira, em Porto Velho. Sem infraestrutura adequada e sem planejamento pluvial, a capital de Rondônia viveu quase três meses de cheia. Com várias ruas interditadas, o trânsito que já era ruim, ficou caótico. 

De acordo com o secretário Municipal de Obras, Gilson Nazif Rasul, com a baixa do rio, as equipes da Semob puderam dar início a restauração das vias, desde o dia 15 de maio. “A rua Rogério Weber onde abriu um buraco e também a Tenreiro Aranha, exatamente naquela baixada ao lado do colégio Dom Bosco, que estava uma buraqueira danada, foram uma das primeiras avenidas em que as equipes trabalharam”, afirma o secretário.

Ainda de acordo com a Secretaria de Obras (Semob), restaurar as ruas atingidas não é tarefa fácil, exige tempo e perícia. “A questão não é somente as águas baixarem e chegar ao asfalto, elas devem baixar, atingir o asfalto para que a parte debaixo também seque, e isto é o mais importante”.


Lixo jogado pela população e trazido pela enchente ocupa ruas do centro de Porto Velho (Foto: Pâmela Pimenta/Focas do Madeira)
A baixa do rio também deu trabalho às equipes da Secretaria Municipal de Serviços Básicos (Semusb), que intensificaram a limpeza na área central da cidade, retirando os entulhos e as sujeiras trazidos pela enchente. Segundo o secretário da Semusb, todo o trabalho é feito conforme o escoamento das águas.

Prejuízos
Apesar dos esforços da prefeitura, os transtornos no tráfego de veículos, causados pelos desvios das avenidas atingidas pela cheia, deixaram a população porto-velhense indignada e irritada. Com pontos de acesso, como a avenida Campos Sales, que liga a zona sul ao centro da cidade, alagada e interditada, o retrato que se viu foram longas fileiras de carros parados no trânsito congestionado.

A circulação de carros, ônibus, caminhões e motos pela cidade, principalmente em horários de pico, era uma completa confusão. Além disso, o caminho de casa ao trabalho e vice-versa ficou mais longo e caro. “Todos os dias, eu chegava atrasado ao meu trabalho. Saía de casa adiantado uma hora, mas, mesmo assim, me atrasava. Ficava preso neste trânsito infernal, os atalhos que eu fazia estavam todos alagados”, conta o motorista Johnnys Silva.


Ônibus trafega na contramão para evitar buracos, na avenida Rogério Weber (Foto: Pâmela Pimenta/Focas do Madeira)

Eliandre de Souza Ramos, professora de geografia, disse que aumentou o gasto com combustível. Segundo ela, a enchente trouxe muitos prejuízos financeiros. “Com as ruas interditadas, o jeito era fazer outro trajeto longo e mais caro pro meu bolso. Gastava muito dinheiro com gasolina”, frisa a professora.

Cheia histórica
Segundo a Defesa Civil, a cheia deste ano é considerada a maior já registrada na história do estado de Rondônia. A enchente que atingiu o pico histórico no dia 30 de março, com 19,70 metros, deixou cerca de 30 mil desabrigados, por mais de 90 dias. Devido à situação crítica, foi decretado estado de calamidade pública no município e no estado. De acordo com o Ministério da Integração Nacional, foram destinados no começo do mês de abril, mais de R$ 7 milhões para ajudar nas ações emergenciais dos atingidos pela cheia.

Saiba mais:

Reconstrução de áreas atingidas pela cheia do Madeira deve custar mais de R$ 5 bilhões, segundo o governo de Rondônia


Pauta e texto: Pâmela Pimenta
Edição: Marcela Ximenes

quinta-feira, 26 de junho de 2014

“Nova enchente recorde do Madeira só deve acontecer em 180 anos”, diz Sipam

Segundo o órgão, cálculos permitem estimar a recorrência do fenômeno. Monitoramento do rio Madeira é feito pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais.

Por volta do meio dia de 30 de março de 2014, a régua da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM)  para medição do nível do rio Madeira em Porto Velho, marcava 19,74m, nível considerado recorde dos últimos 50 anos. A água inundou casas, desabrigou mais de 20 mil pessoas e fez com que fosse decretado Estado de Calamidade Pública em Rondônia. O fenômeno que assustou as populações dos municípios de Nova Mamoré, Guajará-Mirim e Porto Velho deve se repetir em 180 anos, segundo o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).
Réguas para leitura do nível do rio Madeira, no Porto Organizado em Porto Velho. (Foto: CPRM/Divulgação)

Os registros da elevação do rio Madeira são feitos pelo CPRM desde 1968 a partir de dois processos. De acordo Franco Buffon, engenheiro hidrólogo da companhia, o primeiro é a medição visual, feita duas vezes ao dia através de várias réguas distribuídas na margem do rio no Porto Organizado da capital.

Já o outro método é através de um radar. “Temos um radar instalado na ponte que mede a altura da lâmina d'água e registra a cada 15 minutos”, explica. Segundo Buffon, as duas medições são necessárias para ter uma maior precisão dos dados obtidos. “Às vezes a régua pode entortar por causa da força da água ou o radar pode receber interferência. Um complementa o outro”, conta o engenheiro.

Através das duas medições na régua, é calculado o nível médio que o rio atingiu durante o dia, que é o nível documentado como registro oficial. A partir daí, esses dados são compartilhados com órgãos como Defesa Civil, Delegacia Fluvial e Sipam, onde podem ser analisados em conjunto com outras informações para calcular índices de chuvas e até a probabilidade de uma nova enchente como a de 2014.

Segundo Ana Cristina Strava, chefe de operações do Sipam, a enchente em Porto Velho não deve se tornar comum e é possível estimar a recorrência desse evento. “Através de um cálculo chamada fórmula de Gumbel, podemos calcular que a recorrência desse evento é de 176,8 anos, que nós arredondamos para 180 anos. Esse não é um evento recorrente”, finaliza.

Gráfico utilizado para monitorar o nível do rio Madeira. A linha azul representa a máxima histórica. (Foto: CPRM/Divulgação)
Elevação do nível do rio
A chefe de operações explica que os altos níveis do Madeira se devem à grande quantidade de chuva nos rios que alimentam a bacia hidrográfica. “A gente consegue modelar como a chuva chega em Porto Velho quando ela cai em um determinado rio”, conta.

Mesmo quando o rio começa a secar, podem acontecer oscilações que fazem com que a água suba alguns centímetros. São os chamados 'repiquetes'. “Isso acontece quando chove nos rios mais violentos da bacia, como o Madre de Dios. Por ser um rio com muita energia, ele carrega a água com mais força e causa uma oscilação”, conta Ana.

A bacia do Madeira
Sipam monitora chuvas na bacia
 do Madeira(Foto: Marcel Rodrigues/Focas do Madeira)
A bacia é formada por rios como Beni e Mamoré, com nascentes na Bolívia; Madre de Dios, que nasce no Peru e o Guaporé, formado no em território brasileiro, no estado de Mato Grosso. O rio Madre de Dios deságua no rio Beni, e o Guaporé faz o mesmo no rio Mamoré. Os rios Mamoré e Beni se unem para então formar o Madeira. Todos os anos, o degelo na Cordilheira dos Andes e as chuvas nesses rios abastecem o leito do Madeira e causam a elevação das águas.


Enchentes anteriores
De acordo com os registros do CPRM, a última grande cheia do rio madeira foi em 1997, quando foi registada uma média diária de 17,50m. Antes disso o recorde era de 17,44m, documentado em 1984.

Saiba mais: 

Cheia provocou transtornos no trânsito de Porto Velho; estragos ainda estão nas ruas


Pauta e texto: Marcel Rodrigues
Edição: Marcela Ximenes

Após cheia, Iphan calcula mais de um metro de lama em pontos do complexo ferroviário, em Porto Velho

Equipes da Semusb e Exército realizam a limpeza do local atualmente. Não há prazo para a retirada total dos sedimentos acumulados, segundo Iphan.


Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, foi tomado 
por lama e argila após enchente do Rio Madeira (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Um dos cartões postais mais conhecidos de Rondônia, o Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, continua em processo de limpeza de sedimentos trazidos pelo Rio Madeira, após a históricacheia, que chegou a atingir a marca de 19,74 metros em março deste ano, deacordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Rondônia afirma que os sedimentos em alguns pontos do complexo ultrapassam um metro de altura. Atualmente, a Prefeitura de Porto Velho e o Exército trabalham na limpeza do espaço.

Enquanto o nível do rio subia, a superintendente do Iphan em Rondônia, Mônica Oliveira, conta que a equipe técnica começou a planejar ações pós-enchente. “Qualquer ação para mexer naquele material teria que esperar a descida das águas para que se pudesse avaliar a extensão e o tipo de danos sofrido e identificar os cuidados necessários”, explica.

Atualmente, Semusb e Exército realizam a limpeza do local (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Mônica diz que o Iphan começou a preparar um cronograma se baseando nas prioridades emergenciais a curto, médio e longo prazo. A ação identificada como imediata pelo Iphan foi a limpeza do espaço, que ainda está em andamento. “É uma etapa bastante longa, mas que a gente espera que não demore muito”, considera.

Uma equipe da Secretaria Municipal de Obras (Semusb) iniciou o trabalho de limpeza do complexo em maio com ajuda de caminhões-pipa e jatos de água de alta pressão para retirar os sedimentos acumulados na área descoberta. “A quantidade de sedimento é incrível. Em alguns pontos da Estrada [de Ferro], chega a ultrapassar um metro de altura”, avalia a superintendente.

Iphan diz que sedimentos acumulados em pontos do complexo ultrapassam um metro de altura (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Mesmo que esteja acontecendo a limpeza no local, Mônica a considera lenta e diz que é necessário ter mais agilidade. Para isto, militares do 5º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC) do Exército foram chamados para auxiliar na limpeza. “Para o metal, que aparece nas máquinas e nas chapas metálicas dos galpões, é ruim ficar em contato muito tempo com a umidade. Além do espaço em geral, que fica inacessível aos visitantes”, lembra.

Após a retirada dos sedimentos do espaço, a superintendente informa que será iniciado o processo de restauração minuciosa dos vagões, locomotivas e galpões. “Assim que for limpa a lama mais grossa, a equipe iniciará um novo processo de limpeza, mais minucioso para não danificar as estruturas das peças”, explica Mônica, que não soube informar prazo para conclusão de toda limpeza do complexo.

Peças e equipamentos da ferrovia deixadas no local durante a cheia sofrem com a corrosão da estrutura (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Revitalização e restauração
Em 2012, a concessionária Santo Antônio Energia (SAE) iniciou o trabalho de recuperação do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, restaurando o Galpão 2 e a Praça da Estação. De acordo com a assessoria da SAE, mais de 90% das obras estavam concluídas quando ocorreu a cheia do Rio Madeira.

O girador, a rotunda e oficina serão limpos e pintados novamente e entregues à administração da Prefeitura de Porto Velho, segundo a concessionária. Das obras de condicionantes junto ao Iphan, o que resta é a restauração da linha férrea entre o complexo e a Igreja de Santo Antônio, ambas na capital.

O Iphan avaliou solicitar o auxílio da SAE para a limpeza do complexo junto com a Semusb e o Exército, entretanto ainda não há decisão da diretoria da concessionária para a ação.

Limpeza dos sedimentos deve ser agilizada, considera a superintendente do Iphan, Mônica Oliveira (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)

Cheia do Madeira
Com o pico de 19,74 metros registrado no dia 30 de março pela a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), a cheia histórica do Rio Madeira ultrapassou a maior contabilizada em 1997, aferida em 17,52 metros. A enchente atingiu mais de 30 mil pessoas, principalmente, em Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim. Diversas escolas municipais e estaduais foram atingidas e algumas serviram como abrigos para as famílias desalojadas, causando a interrupção de aproximadamente três meses de aulas.


O governo federal reconheceu  a situação da enchente em Rondônia como calamidade pública e o poder público estadual avaliou em R$ 5 bilhões para a ‘reconstrução’ do estado após a cheia. 

De acordo com o Iphan, não há prazo para a retirada total dos sedimentos da praça ferroviária (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Saiba mais:

Cheia provocou transtornos no trânsito de Porto Velho; estragos ainda estão nas ruas


Pauta e texto: Halex Frederic
Edição: Marcela Ximenes