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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Calendário do carnaval sofre alteração devido a cheia do rio Madeira e será realizado em julho

Desfile de blocos de carnaval está programado para julho. As escolas de samba de Porto Velho não entrarão na avenida por falta de verbas. 


O carnaval de rua de Porto Velho foi adiado por conta da cheia histórica do rio Madeira que atingiu a marca de 19,74, em abril deste ano . A decisão ocorreu durante uma reunião com a União dos Blocos de Rua (Uniblocos), a Federação das Escolas de Samba (Fesec) e representantes dos blocos carnavalescos e das escolas de samba juntamente com a ex-presidente da Fundação Cultural Jória Baptista e o prefeito da capital, Mauro Nazif.

Durante o encontro, o prefeito Mauro Nazif justificou a suspensão afirmando que não poderia oferecer o suporte necessário para a realização do evento pelo fato de os setores Civis, Militares e Ambientais estariam comprometidos em oferecer apoio aos atingidos pela enchente, bem como a Secretaria Municipal de Trânsito e os Corpos de Bombeiros para o resgate das famílias. Antes dessa decisão, os blocos Areal Folia, Furacão da Zona Sul e Axé Folia já haviam desfilado.

Segundo o presidente da Uniblocos, Benjamim Mourão, os blocos tiveram prejuízos consideráveis com contratos de banda e segurança e nas confecções de camisa. As escolas de samba também afirmam a existência de prejuízos devido à suspensão, inclusive, nos contratos com patrocinadores.

A Funcultural marcou uma nova data para ocorrer o carnaval que será durante a Copa do Mundo, a partir do dia 2 de julho.


Banda vai sair

Desfile da Banda do Vai Quem Quer
(Foto: CassiRondônia)
Os representantes da Banda do Vai Quem Quer entraram com um mandado de segurança pedindo autorização da Justiça para desfilar no sábado de carnaval, porém, na mesma época o Ministério Público Estadual em Rondônia ingressou com uma ação civil impedido a autorização da medida e o pedido negado.

“A decisão foi bem ruim, complicada, embora compreensível. Entendemos a situação e por isso não nos desanimamos”, afirma 
 a presidente da Banda do Vai Quem Quer, Siça Andrade. O desfile da Banda está confirmado para o dia 5 de julho.


Avenida vazia

Avenida Migrantes onde ocorrem os desfiles das escolas de samba
(Foto: Manu Pontes/Focas do Madeira)
Pela falta de recursos, os desfiles das escolas de samba foram cancelados. Os recursos oferecidos pela Funcultural eram insuficientes para realizar a apresentação, segundo a Fesec. Foram disponibilizados para cada escola cerca de R$ 42 mil.

O presidente da Fesec, Antônio Cabeleira, relata a falta de apoio que teve do município e do governo. “É difícil fazer cultura nesse lugar”, reclama.

Antônio Cabeleira afirma não pensar mais no desfile de carnaval. A previsão é de as escolas se apresentarem no dia 2 de outubro no evento do centenário de Porto Velho. Mas ainda não há nada confirmado.

Além dos contratos cancelados com patrocinadores, as escolas de samba tiveram prejuízos com materiais comprados que agora ficarão no depósito para ser usado no centenário ou para o carnaval de 2015.

“É triste pra nós sambistas vermos nossos brincantes chorar, diretores chateados. Eles constroem pensando que o evento será realizado e se decepciona ao ver que não acontece, gostaria de ter apresentado um grande espetáculo, infelizmente, a natureza não deixou”, finaliza.



Pauta e texto: Manu Pontes
Edição: Marcela Ximenes

Após cheia, Iphan calcula mais de um metro de lama em pontos do complexo ferroviário, em Porto Velho

Equipes da Semusb e Exército realizam a limpeza do local atualmente. Não há prazo para a retirada total dos sedimentos acumulados, segundo Iphan.


Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, foi tomado 
por lama e argila após enchente do Rio Madeira (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Um dos cartões postais mais conhecidos de Rondônia, o Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, continua em processo de limpeza de sedimentos trazidos pelo Rio Madeira, após a históricacheia, que chegou a atingir a marca de 19,74 metros em março deste ano, deacordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Rondônia afirma que os sedimentos em alguns pontos do complexo ultrapassam um metro de altura. Atualmente, a Prefeitura de Porto Velho e o Exército trabalham na limpeza do espaço.

Enquanto o nível do rio subia, a superintendente do Iphan em Rondônia, Mônica Oliveira, conta que a equipe técnica começou a planejar ações pós-enchente. “Qualquer ação para mexer naquele material teria que esperar a descida das águas para que se pudesse avaliar a extensão e o tipo de danos sofrido e identificar os cuidados necessários”, explica.

Atualmente, Semusb e Exército realizam a limpeza do local (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Mônica diz que o Iphan começou a preparar um cronograma se baseando nas prioridades emergenciais a curto, médio e longo prazo. A ação identificada como imediata pelo Iphan foi a limpeza do espaço, que ainda está em andamento. “É uma etapa bastante longa, mas que a gente espera que não demore muito”, considera.

Uma equipe da Secretaria Municipal de Obras (Semusb) iniciou o trabalho de limpeza do complexo em maio com ajuda de caminhões-pipa e jatos de água de alta pressão para retirar os sedimentos acumulados na área descoberta. “A quantidade de sedimento é incrível. Em alguns pontos da Estrada [de Ferro], chega a ultrapassar um metro de altura”, avalia a superintendente.

Iphan diz que sedimentos acumulados em pontos do complexo ultrapassam um metro de altura (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Mesmo que esteja acontecendo a limpeza no local, Mônica a considera lenta e diz que é necessário ter mais agilidade. Para isto, militares do 5º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC) do Exército foram chamados para auxiliar na limpeza. “Para o metal, que aparece nas máquinas e nas chapas metálicas dos galpões, é ruim ficar em contato muito tempo com a umidade. Além do espaço em geral, que fica inacessível aos visitantes”, lembra.

Após a retirada dos sedimentos do espaço, a superintendente informa que será iniciado o processo de restauração minuciosa dos vagões, locomotivas e galpões. “Assim que for limpa a lama mais grossa, a equipe iniciará um novo processo de limpeza, mais minucioso para não danificar as estruturas das peças”, explica Mônica, que não soube informar prazo para conclusão de toda limpeza do complexo.

Peças e equipamentos da ferrovia deixadas no local durante a cheia sofrem com a corrosão da estrutura (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Revitalização e restauração
Em 2012, a concessionária Santo Antônio Energia (SAE) iniciou o trabalho de recuperação do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, restaurando o Galpão 2 e a Praça da Estação. De acordo com a assessoria da SAE, mais de 90% das obras estavam concluídas quando ocorreu a cheia do Rio Madeira.

O girador, a rotunda e oficina serão limpos e pintados novamente e entregues à administração da Prefeitura de Porto Velho, segundo a concessionária. Das obras de condicionantes junto ao Iphan, o que resta é a restauração da linha férrea entre o complexo e a Igreja de Santo Antônio, ambas na capital.

O Iphan avaliou solicitar o auxílio da SAE para a limpeza do complexo junto com a Semusb e o Exército, entretanto ainda não há decisão da diretoria da concessionária para a ação.

Limpeza dos sedimentos deve ser agilizada, considera a superintendente do Iphan, Mônica Oliveira (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)

Cheia do Madeira
Com o pico de 19,74 metros registrado no dia 30 de março pela a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), a cheia histórica do Rio Madeira ultrapassou a maior contabilizada em 1997, aferida em 17,52 metros. A enchente atingiu mais de 30 mil pessoas, principalmente, em Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim. Diversas escolas municipais e estaduais foram atingidas e algumas serviram como abrigos para as famílias desalojadas, causando a interrupção de aproximadamente três meses de aulas.


O governo federal reconheceu  a situação da enchente em Rondônia como calamidade pública e o poder público estadual avaliou em R$ 5 bilhões para a ‘reconstrução’ do estado após a cheia. 

De acordo com o Iphan, não há prazo para a retirada total dos sedimentos da praça ferroviária (Foto: Halex Frederic/Focas do Madeira)
Saiba mais:

Cheia provocou transtornos no trânsito de Porto Velho; estragos ainda estão nas ruas


Pauta e texto: Halex Frederic
Edição: Marcela Ximenes