Sucessão musical é responsável pela
identidade cultural da cidade.
Antigo e o moderno são registros da
história de um povo através da música.
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| Costumes, pessoas e lugares fazem parte de composições musicais que registram a história de Porto Velho. (Foto: Jenifer Zambiazzi/Divulgação) |
A história da música de Porto Velho começou em meados dos anos 60, mas a formação do cenário cultural conhecido nos dias de hoje se deu com o “Grito de Cantadores”, festival de música projetado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) em 1989, que despertou artistas a expressar composições e contar a vida de uma cidade através da música.
Letras que contam a história
de um povo, os costumes de uma cidade, os personagens da cultura rica que
continua a se movimentar e desenvolver no cenário musical porto-velhense. As
composições dos “mastodontes” Bado, Binho, Augusto Silveira, Laio, Nega, dentre
outros que iniciaram essa história de identidade única seguem nas
revelações musicais atuais.
Nas anos 70 a influência
musical vinha dos americanos, com o jazz. Mas, de acordo com o historiador
Anísio Gorayeb, os intérpretes iniciaram as carreiras, muitos como artistas
ocultos que foram se mostrando com as oportunidades de apresentações em rádios
e festivais de música, e outros já dedicados e decididos a fazer história, com
canções de suas autorias e participações marcantes em diversos projetos
culturais de Porto Velho.
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| Augusto Silveira (Foto: Arquivo Pessoal) |
O projeto que deu início à
música conhecida como local, de valor popular brasileiro, chamava-se “Grito de
Cantadores”, promovido pelo Sesc em 1978. Jovens músicos profissionais e amantes
da música participaram e permaneceram fielmente até 1992, quando o movimento de
cantadores se transforma no projeto musical chamado “Porto das Esperanças”, que
abre espaço para o lançamento desses artistas ao público porto-velhense no
projeto cultural e educacional Circuito Musical nas escolas, dando origem ao CD gravado em conjunto “Amazônia em Canto”.
O desenvolvimento dos
artistas em projetos culturais abriu portas para os trabalhos coletivos e
individuais. Segundo o músico Augusto Silveira, também biólogo graduado, a partir
de 1998, financiamentos proporcionaram as produções em trabalhos solos de
muitos artistas, possibilitando assim mais registros da rica cultura musical
popular de Porto Velho.
Em 1977, Augusto Silveira
chegou a Porto Velho, quando decidiu se especializar em
citopalogia. Um ano depois conheceu a esposa e com o trabalho especializado
em ecologia e conservação da biodiversidade criou raízes em Porto Velho.
Augusto relacionou a música com a biologia e explicou como enxerga uma característica dos trabalhos culturais desenvolvidos na cidade. “A ecologia me ensinou
uma coisa, o fenômeno Sucessão Ecológica, as gerações, que mantêm um
bosque tropical como ele é, um cerrado, um rio, em função da sucessão
das espécies que compõem aquele cenário. Em Porto Velho, o que acontece hoje,
com a qualidade desses grupos, de garotos novos, é a sucessão, árvores novas
que desenvolvem à sombra de velhas arvores”.
O artista também falou que
nesse processo sucessório, os intérpretes, assim como os compositores, são
responsáveis em propagar a cultura local. “Você ser cantado por alguém é uma
honra”, falou Silveira.
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| Bado, um dos artistas que representa a cidade (Foto: Arquivo Pessoal) |
Bado, instrumentista e compositor rondoniense, conhecido em todo o país, é responsável por um grande acervo musical, também desenvolveu trabalhos a partir de criações para teatros e documentários. Graduado em música, seguiu a carreira nos palcos e nas salas de aula, quando foi aprovado em um concurso público e passou a ensinar na Escola de Música Jorge Andrade. Participante ativo dos movimentos culturais promovidos pelo Sesc, o artista desenvolveu seu trabalho, focado na valorização da música que conta a história da terra.
As referências musicais para
muitos artistas também vêm das escolas de samba, composições locais que
desencadeou em uma série de criações em diversas vertentes e traz os programas
de auditórios, que incentivam e estimulam os novos artistas na década de 80. “Em
uma abordagem geral, eu ouvia aquela galera cantando nos programas de
auditórios e desencadeei nessa coisa de criar. Comecei a fazer música para
teatro com links de experiência vendo os sambistas, compositores locais”.
O Grito de Cantadores
permitiu o início da consolidação da identidade musical local. Assim como
outros artistas Bado e Augusto participam ativamente de parcerias com a jovem
guarda porto-velhense, sempre preocupados em desenvolver mais história e
registrar a memória de um povo. “Comecei com o Grito de Cantadores, em 1983 e
não parei mais. Apostando só na terra, correndo atrás da minha história como
compositor, tocava na noite e investia nos shows com músicas próprias”.
Uma música rebelde, que se
expressa com ousadia, permanece. A sua continuidade se dá no surgimento de
artistas e parcerias entre os modernos e os antigos. Dentro dessa
contextualidade a música de Porto Velho é muito rica, extremamente criativa,
onde as pessoas mantém um processo contínuo de criação.
Pauta e texto: Gaia Quiquiô
Edição: Marcela Ximenes
Edição: Marcela Ximenes




